Nesta rua movimentada,
altamente pavimentada,
passam milhares de possíveis amores.
Amores vistos por cinco segundos.
Os passantes que atraem,
meus olhos,
passam aos montes
e distraídos.
Uma,
eu vi cruzar seu caminho
com o meu,
por três ou quatro vezes:
É o congestionamento da capital
ou é a sorte grande
agindo na vida?
Tudo aqui,
acomete-me em grandes proporções.
A luxúria,
que era peixe miúdo,
adquire aqui,
feições capitais.
O amor
que guardo por dentro,
também é metrópole.
É avenida paulista
de sentimentos.
Cabelos enrolados em cachos,
luzes num longo cabelo.
Vestidos, saias
e bermudas
revelam seu traço abstrato:
esferas brancas flutuando no negro.
Negras,
flutuando no branco.
Executivas boazudas
me atordoam,
com suas bundas,
bem trabalhadas
para o elogio no trabalho.
Vejo
executivos de sucesso
e de fracasso.
Homens,
correndo e andando
simultaneamente,
em cima de esteiras.
E entre tantos rostos
de olhar pontudo
e ângulos provocantes,
lanço para dentro de mim
um olhar lancinante.
Pergunto ao meu âmago,
quem é de fato
possibilidade.
Quem me faz perder o sono,
me faz perder o sexo,
tornando-me um ser,
assim,
tão bem resolvido?
Te quero,
minha possibilidade,
e te busco a todo instante.
E eu te encontro
cara a cara,
numa carta,
numa página da Web,
e digo que te amo.
E te beijo.
E faço contigo,
o sexo dos anjos,
aqui na terra.
Num dia ensolarado,
levo o nosso ser uno
pra um passeio
por dentro das nuvens.
Te conheço tanto,
mal te conhecendo...