sexta-feira, 6 de maio de 2011

terça-feira, 3 de maio de 2011

Hai - quase - cai

À tardinha,
a fumaça do café.
Metonímia da chaminé.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

O que vale nesta vida

Tenho duas namoradas,
a música e a poesia,
que ocupam minhas noites,
que acabam com meus dias.

Zélia Duncan

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

BAUDELAIRE NÃO IMAGINAVA

Nesta rua movimentada,
altamente pavimentada,
passam milhares de possíveis amores.

Amores vistos por cinco segundos.

Os passantes que atraem,
meus olhos,
passam aos montes
e distraídos.

Uma,
eu vi cruzar seu caminho
com o meu,
por três ou quatro vezes:

É o congestionamento da capital
ou é a sorte grande
agindo na vida?

Tudo aqui,
acomete-me em grandes proporções.

A luxúria,
que era peixe miúdo,
adquire aqui,
feições capitais.

O amor
que guardo por dentro,
também é metrópole.

É avenida paulista
de sentimentos.

Cabelos enrolados em cachos,
luzes num longo cabelo.

Vestidos, saias
e bermudas
revelam seu traço abstrato:
esferas brancas flutuando no negro.

Negras,

flutuando no branco.

Executivas boazudas
me atordoam,
com suas bundas,
bem trabalhadas
para o elogio no trabalho.

Vejo
executivos de sucesso
e de fracasso.

Homens,
correndo e andando
simultaneamente,
em cima de esteiras.

E entre tantos rostos
de olhar pontudo
e ângulos provocantes,
lanço para dentro de mim
um olhar lancinante.


Pergunto ao meu âmago,
quem é de fato
possibilidade.

Quem me faz perder o sono,
me faz perder o sexo,
tornando-me um ser,
assim,
tão bem resolvido?

Te quero,
minha possibilidade,
e te busco a todo instante.

E eu te encontro
cara a cara,
numa carta,
numa página da Web,
e digo que te amo.

E te beijo.

E faço contigo,
o sexo dos anjos,
aqui na terra.

Num dia ensolarado,
levo o nosso ser uno
pra um passeio
por dentro das nuvens.

Te conheço tanto,
mal te conhecendo...

sábado, 15 de novembro de 2008

ovelha cosmopolita

Não,
ele não era
um cão imbecil.

Altivo,
como um imperador.

Encardido,
como qualquer um que já viveu.

Patas e pêlos
molhados,
encharcados de espera.

Aquele cão,
meio mini-ovelha,
aguardava a decisão
sábia ou não,
do seu pastor moderno.

Sentados,
pastor e ovelha
apenas aguardavam.

VOCÊ

Veludo vermelho
no Simbolismo.

Meu Dorian Gray
viciante
e vicioso.

Você,
e minha vontade
de te lamber.

Entre nós,
um difícil
gramado

e o medo
do não ter...

o que dizer?

Beleza aguda
demais.

Perfume doce,
demolidor de boas intenções.

Cerveja e cigarro
numa só
boca.

Abraço sem fala
coração na boca.

O que digo?

Prensar-te-ei
na parede
e na cama
ricas
do teu quarto.

Puta-que-lá-merda,
o que eu faço?

Palavras chulas,
quando a gina for.

O meu reflexo,
o teu reflexo
no papel laminado imitador de espelho.


Na tua forma,
o meu amor!

terça-feira, 11 de novembro de 2008

VELHICE

VOVÔ E VÔVO
VÃO.

O "V"
É VISTO
NO ENVOLVIMENTO DAS MÃOS.

VIZINHOS DE VIDA.
VÍCIOS,
VIRTUDES,
COSTAS CURVADAS

VARAS DE BAMBU
PELO VENTO VITAL
VIRADAS


A VIDA
BOA
VOA.


GAIVOTA NOVA,
NO VENTO,
FICA LOGO VELHA

VÊ,
X,Y
ZÁS!

ATROZ,
O ALBATROZ DO TEMPO
PESCA-ME,

DIA-A-DIA,

COM SEU BICO
FINO E NEGRO.